Devaneios

18 de ago. de 2014
DEVANEIOS
Autor: Marcos Maluly
Ilustração: Irene Sheri

Para aumentar mais, minha desgraça.
Vivo a crer nessa graça que me ilude.
Onde vou a desgraça é mais rude;
Com essa cara fúnebre, que carrego.
A indiferença estúpida já me viu;
E a indolência idiota de um cego;
É vão essa vida que me entrego!
Ao ouvir o brado rouco de um mudo,
O amor em angústia é mais profundo,
Muitas vezes, meia-noite, eu me entrego,
Sinistramente, essas dores em meu ego;
A comer minha carne por inteiro! 
Na agonia de tantos pesadelos,
Vivo assim a sofrer sem ter remédio.
Se eu procuro saber da minha vida,
Nas confusas cartas de um baralho,
Pois, amores passados são retalhos,
De um passado a muito tempo já vivido.
E passado é passado, está perdido
No presente já não tenho esse medo
O amor é tão perfeito pra não te-lo
Na agonia dos meus dias tao sofridos.
Visualizações